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A postura e fatores de risco

Hoje eu quero falar de postura. Quando penso em postura, penso na posição que a cabeça tem no pescoço e como influencia e é influenciada por todas as funções que temos e tomamos.

Quando nascemos, podemos ficar de alguma forma condicionados e devido à rotação durante o parto, há uma inclinação da cabeça à direita. Depois deste processo mais ou menos traumático, vamos ter a nossa própria forma de compensação a uma contratura maior ou menor, dependendo de cada um e de todo as condicionantes do parto.

Vem sempre a questão das possibilidades de tratamento, das abordagens possíveis e dos cuidados existentes. Posso desde já alertar que uma boa consulta de osteopatia permite o desenvolvimento equilibrado e as compensações do bebé não terão de acontecer, por termos o ajuste fisiológico logo sem se deixar o problema instalar. Este ajuste permitirá um conforto do bebé de tal forma que o sono, a digestão, a amamentação tem logo o sucesso mais perto.

A amamentação, a respiração e a postura

Falando de amamentação sabemos que é o primeiro aparelho ortodôntico que temos, associado à respiração irá desenvolver os músculos do bebé. Parece estranho, mas assim é, quando o bebé mama a respiração tem de ser nasal para a sucção ser mais eficiente. A força da língua começa a avançar o ‘queixo’ do bebé e ao mesmo tempo a expandir a arcada superior. Quando o bebé tem o aleitamento artificial, existe a tendência para alargar o orifício do leite e perdem-se logo as forças de desenvolvimento.

O primeiro comentário é o bebé cansa-se a mamar. Ora, se já conhece uma forma fácil de alimentação, qual a intenção do bebé para optar por uma forma que exija esforço?

A manutenção da respiração perde-se também na alimentação artificial e na utilização de tetinas e chupeta, porque se perde o selamento labial. Ficarão sempre os cantos da boca entreabertos. Se os lábios não estão selados passa ar e surgem logo uma cascata de respostas que levam à obstrução nasal. Iniciando-se assim um padrão de respiração misto, oral e nasal. Mas falávamos nós de postura. O bebé amamentado por ganhar mais força muscular, mais força terá no pescoço e aqui se notam as cadeias musculares descendentes a exercer as suas ações na postura. Quando a respiração nasal pura se perde, a cabeça começa a ter uma inclinação para facilitar a respiração oral e o tórax não terá o desenvolvimento correto ficando encurvado.

A alimentação do bebé e a postura

Aos 6 meses deve iniciar a alimentação complementar, com a introdução de texturas e alimentos de forma gradual e consistente. Nunca se esqueçam que para adquirir um hábito necessitamos de 3 períodos de 21 dias, ou seja, precisamos de 63 dias.

A alimentação complementar além de estimular a propriocepção da boca irá desenvolver os reflexos de deglutição e os estímulos para a posterior mastigação. Porém uma criança com poucos estímulos no sistema estomatognático e com alimentação facilitada terá tendência a exigir e a dramatizar a introdução de novos alimentos ou texturas. Aqui notamos o atraso do padrão alimentar, o aumento do consumo de refeições ditas completas sem a diferenciação de texturas e sabores e claramente a laxidão muscular.

Quando um músculo trabalha e estica impulsiona o crescimento dos ossos em que está inserido e influencia o crescimento de outros ossos. Quando pensamos que antigamente não existiam dentes tão tortos podemos associar aos hábitos de vida e estes estudos revelam que a face deveria crescer até aos 4 anos cerca de 60% do seu tamanho na vida adulta. Aqui entra a preocupação dos especialistas em Ortopedia Funcional dos Maxilares.

Com que idade devem as crianças fazer a sua avaliação de oclusão e desenvolvimento da boca para que tenham as arcadas preparadas para a erupção de dentes definitivos?

A Ortopedia Funcional dos Maxilares, tendo o seu foco na prevenção e redução de abordagens invasivas, acredita e comprova cientificamente que podemos tratar e guiar desde bebé, mesmo sem dentes ou apenas com dentes de leite.Ao contrário da ortodontia que relaciona os dentes nas arcadas existentes e como tal só poderá atuar de forma mais invasiva e após a erupção de dentes definitivos, na fase de dentição mista.

A abordagem mais completa tende a avaliar o crescimento e desenvolvimento da criança como um todo, postura, funções fisiológicas e desenvolvimento musculo-esquelético. E quando o padrão respiratório não está mantido, em adultos ou crianças, a cabeça pende para a frente, tornando-se claras as cascatas de compensações nos ombros, costas e restante coluna. Na realidade as consequências vão mais além do que se fala. Estudos importantes revelam que 1 em cada 5 crianças com mordida cruzada lateral tem estrabismo. Outros estudos indicam a relação das classe II esqueléticas (queixo pequeno) com a miopia. A relação dos dentes com os olhos é estreita. Podemos também compreender a rotação da postura dos pés e joelhos para maior equilíbrio do corpo e da cabeça quando encontramos a mordidas cruzadas.

E a explicação é relativamente simples, o peso da cabeça deve estar centrado no corpo. A mandibula sendo o único osso móvel da cabeça é ‘comandado’ pelo maior grupo muscular – a língua. Se a língua está baixa a cabeça avança. Se a língua está projetada e a mandíbula também será notada a retificação do pescoço, e o tronco aparenta estar inclinado para trás. Esta postura acontece em crianças e são mais notadas no adulto por iniciarem queixas perto ou longe da boca. Há queixas nos ouvidos, enxaquecas, dor musculares do pescoço e costas, dores articulares entre muitas outras.

E agora, o que fazer?

A postura deve ser educada e treinada. Contudo, a correção verdadeira das estruturas esqueléticas permite a evolução ideal com equilíbrio e melhoria da qualidade de vida.

Tendo por exemplo a cascata mais comum de desequilíbrio passo a descrever dois casos, um em crianças e outro em adultos. Uma criança que não goste de comer, terá menor força muscular, as arcadas dentárias não crescem e a boca fechada não terá área suficiente para a língua (dupla consequência), a respiração será nasal-oral e a cabeça tende a inclinar-se. Comprometida a respiração terá alterações do sono (xixi, ronco, agitação…) durante o dia terá picos de agitação extrema e sonolência, passados em frente de um ecrã com a cabeça anteriorizada. A mastigação estará comprometida assim como todo o desenvolvimento músculo-esquelético. A abordagem transdisciplinar garante o equilíbrio e a resolução dos problemas associados.

Lembrando agora um exemplo no adulto, conhecemos certamente alguém com as arcadas dentárias pequenas que nalguma fase da sua vida extraiu dentes para alinhar os restantes. Neste tratamento ainda reduziu mais o espaço para a língua e os problemas respiratórios tornaram-se óbvios, como sinusites, rinite, enxaqueca e posteriormente surgiram os problemas articulares além das dores no pescoço. Distante o suficiente dos dentes é um problema não relacionado. Contudo, sabemos que os dentes são as estruturas de apoio da articulação temporo-mandibular e quando as forças não estão balanceadas as queixas vão acontecer. Neste adulto o sono está alterado embora nem sempre tenha consciência e a roncopatia é tida como ‘normal’.

Conhecer e compreender que somos um sistema que necessita de equilíbrio, evitando compensações invasivas é fundamental para a saúde plena. Começamos no dia em que nascemos e nunca será tarde para ajustar o sistema de forma fisiológica.

A cada sorriso, a cada partilha na melhoria da qualidade de vida com noites regenerantes, dias com energia sem dores ou estalidos, levam-me a querer todos os dias oferecer-vos informação útil e comprovada que deitem abaixo dogmas e preconceitos enraizados nesta nossa cultura e muitas vezes patrocinados de forma desleal.

Até breve e conte sempre comigo.

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